sábado, 31 de agosto de 2019

De interesse público

Há meia dúzia de anos publiquei alguns trabalhos. Por inocência pura e paixão assolapada, nunca quis saber de um pormenor, insignificante na altura mas enorme hoje em dia. 
No mundo editorial existe uma coisa chamada "propriedade intelectual", que à data me pareceu um ato de vaidade e que, verdade seja dita, desvalorizei à grande mas que agora mais madura e curada, tenho vindo a perceber ser de extrema importância.
Vejamos, esse simples par de palavras, permite ao nome que lhe sucede, a propriedade, tal como o nome indica, de um trabalho, texto, frase, obra, o que for, mesmo que este não tenha saído das suas mãos ou de sua linda cabecinha.
Esse trabalho, que pode ter maior ou menor extensão, maior ou menor importância cientifica ou pedagógica, social ou cultural, não interessa, maior ou menor sucesso, aos olhos cegos da lei, será sempre pertença desse alguém que acompanha a #propriedade intelectual. 

Assim, e porque essa gaja com traços de vaidade e perfume importado assim o permite, acabamos por ver e rever e reconhecer o nosso trabalho vezes sem conta, travestido de belas, coloridas e enganadoras capas, nos escaparates de supermercados e conceituadas livrarias.
Tudo estaria muito bem, não fosse o facto de não ser o nosso nome a configurar essas lindas capas.
Portanto, se não querem ver o vosso trabalho a deambular pelas ruas de mãos dadas com outros e outras, tomem cuidado com a #propriedade intelectual, essa gaja que se veste de vaidade e usa perfume importado e que nos tapa os olhos com juras de amor e palavras bonitas.

Gratidão

Gratidão: sentimento nobre, muito in, difícil de compreender e praticar.

Começa a ser prática comum falar-se em gratidão,  como se gratidão fosse um verbo facilmente conjugável. Pior, como se todas as pessoas o soubessem conjugar. Pois é, nem todos os entes o são, muito menos o conseguem fazer no Presente do indicativo. Será que num Futuro o conseguirão fazer? Palpita-me que alguns nem a um sinónimo do termo chegarão.

Há pessoas que jamais serão capazes de ler o significado deste vocábulo no dicionário e muito menos de o entender e assimilar. Há gente que se apropria dos termos de forma incorreta, desonesta e extremamente danosa e jamais será capaz de parar de o fazer. Quanto mais, de reconhecer o ato ou ação praticada e as consequências da mesma.
Há gente muito obtusa, plural e curvilínea, que se apropria de certos termos, porque são bonitos e até estão na moda, sem jamais entender a verdadeira natureza destes.
Tenho dito.